sábado, 14 de junho de 2008

o lírio e a porcelana

foto: angelo grace

todo dia me enchiam com água para que ele pudesse descansar
esperava que se suas pétalas não caíssem, eu teria seu aroma sempre
mas tive não
esqueceram de colocar mais água e o que havia secou
foi estranho
eu continuei perfumada por uns tempos
até que... sumiu
o lírio morreu e pediu pro vento levar o perfume
desde então
toda dia eu imploro por água
e toda noite que o vento volte
mas parece que ventanias não ouvem porcelanas.

3 comentários:

Solin disse...

caramba, que lindo. pra se ler em um dia chuvoso, como uma poesia que veio até mim porque não sou porcelana.

PedroNegro disse...

pq falar de sofrimento eh sempre mais comodo que divagar sobre a felicidade? ambos sao efemeros. so quem eh brilhante que pode fazer essas coisas, ne?
gostei!

Luiz Felipe Leal disse...

nem homens.