sábado, 30 de maio de 2009

Maio


Depois de cruzar os dois abismos dos pés, entre as solas dos sapatos e o espaço que os desune. Cruzar tão infinitamente que reside. E do que foi nada permanece inteiro, fiapos trocados, um mosaicosemfluido, descontrolados, osmoses interrompidas. Depois, bem depois, que um segundo é mais denso que uma vida. Longe de breve, perguntas recorrentes se calam. Não queria respostas, pontuações, colóquios. Obsessivo demais para um banal fim. Desarma, patas que desarticulam, peito que desabrevia, des-conhece des-maio.
Agora, perto, atinge a distância imensurável do que não se controla. Pânico, escorre pelos dedos, viscosidade inválida, não prende, não guarda e no entanto valeria mil abismos. Não é amor, nem ideologia, é dilema. O caso é casado com o descaso do que na verdade descasca. Diz casca, onde deixou meu vínculo que não enxergo a não ser na escuridão da pálpebra cerrada? Diz! Porque o que sinto sinfonia. O que ouço se move e o que se move se colorimetria. Mas que parte existe e qual outra se cria?

6 comentários:

Pedro Vinícius disse...

Poxa vida.. faz tempo que nao leio algo assim.
Sabe quando você procura algo e nunca acha.. e do nada voce lê aquilo que voce queria ler...
Sei que foi errado mas roubei seu texto e guardei no meu computador.
Eu não sei como falar dele...acho que ainda estou meio "desorientado" mas prometo voltar e comentá-lo.

Paula § Danna disse...

Quem é vivo sempre posta..

Bom te ouvir mais uma vez!!

José Gaspar disse...

José Gaspar (São Paulo), mais conhecido como J. Gaspar, é um diretor brasileiro, conhecido por ter dirigido diversos filmes eróticos com figuras famosas da televisão como Leila Lopes, Alexandre Frota, Rita Cadillac, Mateus Carrieri e Regininha Poltergeist.

Antes de seguir carreira como diretor, José Gaspar cursou Física na USP e chegou a trabalhar no Laboratório de Inteligência Artificial da Escola Politécnica onde estudou Robótica e Redes Neurais.

Dirigiu vários curtas metragens, videoclipes independentes, documentários, comerciais e programas de televisão. Seu último curta, "A Lenda do Contador de Histórias", foi realizado com recursos captados pela Lei Rubem Braga e venceu em primeiro lugar pelo júri oficial no Festival Curta Barra 2005.

Gothic, de 2004, foi indicado ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no AVN Awards em Las Vegas. Em 2008 recebeu o prêmio Sign Award em Berlim de Melhor Diretor.

Mora em São Paulo e no momento está trabalhando no roteiro de seu primeiro longa-metragem.

Anônimo disse...

Você colocou meu desenho aqui!

:]

(booom sorriso interno, me deu)

M is burning disse...

Lembrei que Maio ë o mes do seu aniversärio... entao, parabens!

Giu disse...

É poético,prosa poética, polissêmico, as palavras são bem exploradas e ritmadas. Gostei