terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Peixe-bomba





Eu tinha um peixe que se chamava Jeremias e, por infortúnio do destino, foi o último a morrer dentre os seus amigos aquáticos. Durou muito tempo para um peixe e talvez pela onda de homem-bomba, carta-bomba, tudo-bomba, tenha se tornado um peixe-bomba. E, dessa vez, cedo demais.

Eram seis horas da tarde quando o sinal da AASB (Associação dos Aquáticos Saltantes e Borbulhadores) chegou. Eu estava dormindo, mas, pelo que me disseram, a Operação dos Peixes Oprimidos começou com mergulhos parafusos e pequenos espirros d'água ali e aqui, perto do interruptor. Com o tempo, foram evoluindo para saltos olímpicos extraordinários até resultarem em uma descarga elétrica em uma caixa de fogos de artifícios. Foi um estouro de todas as cores pelos ares. Eu, que acordei meio atordoada  saí correndo em estado de pânico, salvei apenas as minhas pantufas.

Enquanto os bombeiros não chegavam, a imagem da minhas casa em chamas me agonizava ao me lembrar do peixe. Pensei que já havia tostado. Puro engano. Ao fim, ele estava intacto. E, antes de algum novo acidente, decidi me livrar dele. Soltei-o em um rio qualquer, cujo destino desconheço , mesmo sem saber se é de fato uma boa idéia. Com essas marés de tsunami e El niño, talvez ele vire peixe-relâmpago ou, quem sabe um dia, peixe-morto.

De qualquer forma, é por isso que dizem que os cachorros são os melhores amigos do homem, eles não possuem nenhuma organização, a não ser os que são raivosos, latidores, arranhadores, mordedores, policiais, jedis...

Um comentário:

Solin disse...

oie!

: )